A criançada da pré-escola pode escolher: jogos, desenhos, pintura... e
computador
INTEGRAÇÃO As
máquinas disponíveis na sala são usadas para escrever e pesquisar. Foto: Andréa
Cebukin
Trabalhando em grupo, as crianças do
Jardim de Infância Municipal Doutor Luiz Silveira, em Piraí, a 105 quilômetros
do Rio de Janeiro, aprendem a escrever seu nome digitando no computador. Para
esses pequenos, com idades entre 3 e 5 anos, mexer no notebook parece uma
tarefa simples.
A atividade seguinte: apreciar obras
de grandes artistas, como a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973). Enquanto a
tela Abaporu é projetada no computador da professora, os pequenos são
instigados a falar sobre cores e formas. Depois das explicações sobre as
pinturas, inspiradas pela arte de Tarsila, eles se arriscam a tirar
autorretratos com a máquina fotográfica embutida em cada computador. Na
sequência, passaram a outra atividade: pesquisaram imagens de animais da fauna
brasileira com a orientação das professoras, usando seu notebook com
acesso à internet. Novamente, as crianças demonstram uma desenvoltura capaz de
deixar os adultos presentes, inclusive esta repórter, bastante
impressionados.
Um dia na rotina dessa pré-escola
mostra como a tecnologia foi incorporada de forma natural ao processo de ensino
e aprendizagem, de modo que hoje o computador tem status de material básico de
ensino - o mesmo pode ser observado em outras unidades da rede municipal. A
naturalidade dos pequenos diante das máquinas comprova essa afirmação. "Tô
escrevendo um carta", diz Julia, enquanto tenta digitar seu nome. Enquanto
ela tecla, outros brincam ou desenham. "Alguns pais ficaram aflitos
achando que cadernos, livros, canetas e lápis iam ser abolidos. Mas só
acrescentamos uma nova ferramenta, que também serve para ensinar", diz
Lúcia Helena Borges, chefe da Divisão Pedagógica da Secretaria Municipal de
Educação.
Em Piraí, os computadores não são
exatamente uma novidade na rede de ensino. A cidade tem um projeto de inclusão
digital desde 2005 e o pioneirismo de suas ações chamou a atenção do governo
federal, que passou a financiar projetos locais na área. A vocação digital da
cidade permitiu que os computadores fossem encarados como ferramentas a serviço
dos conteúdos curriculares e ajudou na disseminação da tecnologia, já que hoje
a maioria dos estudantes é familiarizada com ela.
Todos os computadores das escolas do
município estão ligados em rede e têm acesso à internet, o que facilita o
planejamento simultâneo dos professores em todas as unidades. Cada uma tem
autonomia para desenvolver seu trabalho, mas o diálogo entre elas é uma
constante. Além disso, um núcleo de tecnologia foi criado para dar apoio
técnico e pedagógico aos educadores. Hoje, os alunos de toda a rede têm uma
pauta diária de atividades a cumprir e são acompanhados mesmo a
distância.
Com frequência, o computador dá
espaço para brincadeiras com massa de modelar, leitura ou cortar e colar. As
fotografias tiradas pelas crianças, por exemplo, foram usadas para fazer uma
colagem. Depois, sentadas em semicírculo no chão, elas passaram a atividade
seguinte: desenhar livremente em papel. E assim, intercalando atividades
tradicionais com outras, que usam o computador como o aliado, os pequenos da
pré-escola adquirem conhecimentos.
Publicado em NOVA ESCOLA Edição 232,
MAIO 2010. Título original: Um canto a mais.