terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Computadores na pré-escola

A criançada da pré-escola pode escolher: jogos, desenhos, pintura... e computador

Foto: Andréa Cebukin
INTEGRAÇÃO As máquinas disponíveis na sala são usadas para escrever e pesquisar. Foto: Andréa Cebukin

Trabalhando em grupo, as crianças do Jardim de Infância Municipal Doutor Luiz Silveira, em Piraí, a 105 quilômetros do Rio de Janeiro, aprendem a escrever seu nome digitando no computador. Para esses pequenos, com idades entre 3 e 5 anos, mexer no notebook parece uma tarefa simples. 

A atividade seguinte: apreciar obras de grandes artistas, como a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973). Enquanto a tela Abaporu é projetada no computador da professora, os pequenos são instigados a falar sobre cores e formas. Depois das explicações sobre as pinturas, inspiradas pela arte de Tarsila, eles se arriscam a tirar autorretratos com a máquina fotográfica embutida em cada computador. Na sequência, passaram a outra atividade: pesquisaram imagens de animais da fauna brasileira com a orientação das professoras, usando seu notebook com acesso à internet. Novamente, as crianças demonstram uma desenvoltura capaz de deixar os adultos presentes, inclusive esta repórter, bastante impressionados. 

Um dia na rotina dessa pré-escola mostra como a tecnologia foi incorporada de forma natural ao processo de ensino e aprendizagem, de modo que hoje o computador tem status de material básico de ensino - o mesmo pode ser observado em outras unidades da rede municipal. A naturalidade dos pequenos diante das máquinas comprova essa afirmação. "Tô escrevendo um carta", diz Julia, enquanto tenta digitar seu nome. Enquanto ela tecla, outros brincam ou desenham. "Alguns pais ficaram aflitos achando que cadernos, livros, canetas e lápis iam ser abolidos. Mas só acrescentamos uma nova ferramenta, que também serve para ensinar", diz Lúcia Helena Borges, chefe da Divisão Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação. 

Em Piraí, os computadores não são exatamente uma novidade na rede de ensino. A cidade tem um projeto de inclusão digital desde 2005 e o pioneirismo de suas ações chamou a atenção do governo federal, que passou a financiar projetos locais na área. A vocação digital da cidade permitiu que os computadores fossem encarados como ferramentas a serviço dos conteúdos curriculares e ajudou na disseminação da tecnologia, já que hoje a maioria dos estudantes é familiarizada com ela. 

Todos os computadores das escolas do município estão ligados em rede e têm acesso à internet, o que facilita o planejamento simultâneo dos professores em todas as unidades. Cada uma tem autonomia para desenvolver seu trabalho, mas o diálogo entre elas é uma constante. Além disso, um núcleo de tecnologia foi criado para dar apoio técnico e pedagógico aos educadores. Hoje, os alunos de toda a rede têm uma pauta diária de atividades a cumprir e são acompanhados mesmo a distância. 

Com frequência, o computador dá espaço para brincadeiras com massa de modelar, leitura ou cortar e colar. As fotografias tiradas pelas crianças, por exemplo, foram usadas para fazer uma colagem. Depois, sentadas em semicírculo no chão, elas passaram a atividade seguinte: desenhar livremente em papel. E assim, intercalando atividades tradicionais com outras, que usam o computador como o aliado, os pequenos da pré-escola adquirem conhecimentos.



Publicado em NOVA ESCOLA Edição 232, MAIO 2010. Título original: Um canto a mais.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Ferramentas tecnológicas nas aulas de Matemática (Ensino Fundamental 2)

Calculadora e planilhas eletrônicas auxiliam a turma na resolução de problemas



Nenhuma das inovações tecnológicas substitui o trabalho clássico na disciplina, centrado na resolução de problemas. Estratégias como cálculo mental, contas com algoritmos e criação de gráficos e de figuras geométricas com lápis, borracha, papel, régua, esquadro e compasso seguem sendo essenciais para o desenvolvimento do raciocínio matemático.

Entretanto, saber usar calculadoras e conhecer os princípios básicos de planilhas eletrônicas do tipo Excel são hoje demandas sociais. Você deve introduzir esses recursos nas aulas - mas com o cuidado de pontuar que eles não fazem mágica alguma. Ao contrário, sua utilidade se aplica apenas a situações específicas. "O professor deve mostrar que eles são importantes para poupar tempo de operações demoradas, como cálculos e construções de gráficos, quando o que importa é levantar as ideias mais relevantes sobre como resolver a questão", defende Ivone Domingues, coordenadora pedagógica da Escola da Vila.

Enquanto as propostas com calculadora parecem estar mais disseminadas (é comum em várias escolas, por exemplo, utilizá-las para conhecer propriedades do sistema de numeração ou validar contas), o trabalho com planilhas eletrônicas ainda ensaia os primeiros passos. Vale a pena considerar o uso desses aplicativos, já que eles permitem aliar vários conteúdos: coleta de dados, inserção de fórmulas algébricas para cálculos, elaboração de tabelas e tratamento da informação (leia a sequência didática no quadro ao lado).

É importante que as atividades incluam desafios que questionem e ampliem o conhecimento da turma: o que acontece com os resultados da tabela se modificarmos um dos dados da fórmula? E com o gráfico, caso troquemos os valores da tabela? Para mostrar dados cuja soma chega a 100%, qual o tipo mais adequado de gráfico: o de colunas, o de linhas ou o de pizza? "Nessas explorações, o aluno aprende a controlar melhor as alternativas de resolução que a ferramenta oferece", argumenta Ivone.

Por fim, na área de Espaço e Forma, a mesma economia de tempo - dessa vez, na construção de figuras - é possibilitada por programas como o GeoGebra (disponível gratuitamente em www.geogebra.org) e o Cabri Gèométre (pago), que deixam a garotada analisar as propriedades de sólidos e planos, movimentando-os, marcando pontos ou traçando linhas sem a necessidade de redesenhar.

Matemática
Tecnologias 
- Programas educativos
- Planilhas eletrônicas
- Calculadora

Conteúdos - Espaço e forma
- Tratamento da informação
- Números e operações

Oportunidades de ensino - Explorar propriedades de figuras sólidas e planas
- Construir gráficos no computador
- Exploração e validação de cálculos


Por: Amanda Polato

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ciências - Os tipos de lixo ( Ensino Fundamental 1)

Realizando uma pesquisa de campo, a turma compreende a origem dos resíduos sólidos e quais são os diferentes destinos que eles devem receber.

Cena de um aterro sanitário com diversos sacos plásticos, garrafas, restos de madeira, comida, etc. Imagem ilustra Plano de Aula de Biologia sobre os diferentes tipos de lixo que produzimos
Objetivos
  • Categorizar os diferentes tipos de lixo que produzimos em nossa sociedade
  • Identificar qual o destino correto para diferentes resíduos sólidos
  • Conhecer o conceito de logística reversa
  • Adotar práticas sustentáveis que envolvam o consumo consciente e o descarte correto de resíduos sólidos
Conteúdos
  • Abordagem sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos
  • Classificação do lixo
  • Consumo consciente
  • Responsabilidade compartilhada
  • Logística reversa
Anos
Ensino Fundamental I (1ª a 5ª série)

Tempo estimado5 a 6 aulas

Material Necessário
 Introdução
Neste ano de 2014, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê a proibição de disposição de resíduos sólidos em lixões a céu aberto. A PNRS é uma lei que estabelece regras para a destinação e disposição correta dos resíduos gerados pela sociedade. Esta legislação promove grandes desafios porque co-responsabiliza governo, produtores (indústrias) e consumidores a colaborarem com a redução do material descartado e o retorno para a cadeia produtiva. Nós, consumidores, somos peça fundamental para lubrificar a engrenagem dessa máquina. O destino correto do lixo eletrônico, a separação de resíduos recicláveis e a destinação desses materiais a cooperativas impedem que a matéria-prima utilizada na produção seja despejada no meio ambiente. Consequentemente, a produção de um determinado material exigirá menos gasto energético e menos emissão de poluentes. Essas atitudes contribuem com a logística reversa e, associadas a práticas que envolvem o consumo consciente, buscam abrandar os problemas gerados pelo acúmulo dos resíduos sólidos. Pretende-se, ao final da realização destas atividades, que os alunos compreendam a nossa responsabilidade com relação à logística reversa e à redução do lixo produzido. Também se espera que as atitudes e os valores despertados neste plano de aula sejam norteadores para a redução dos impactos ambientais.

Desenvolvimento

1ª etapa Nessa primeira etapa, os alunos vão compreender que os resíduos sólidos podem ser classificados de diferentes formas, tendo como critério sua origem, sua composição química e seu destino. Para isso, o professor pode apresentar os seguintes textos: "Classificação, Origem e Características" e"Classificação adotada para os tipos de lixo". Inicie uma conversa com a turma realizando as seguintes perguntas:
  • O que acontece com o lixo que vocês produzem após jogarem no cesto?
  • Vocês possuem o hábito de separar o lixo e encaminhar para a reciclagem?
  • Com qual frequência vocês trocam de celular?
  • Na hora de comprar um produto, vocês levam em consideração a quantidade de material usada na embalagem que será descartada?
Após realizar essa conversa, explique aos alunos que eles vão ler alguns textos e que também vão assistir a alguns vídeos para compreender a problemática questão do lixo. À medida que assistirem os vídeos e realizarem a leitura, os alunos deverão produzir um glossário com termos relacionados a este assunto. Política Nacional de Resíduos Sólidos, aterro sanitário, chorume, responsabilidade compartilhada e logística reversa são alguns termos que podem estar incluídos nessa produção escrita.

Apresente à turma o texto "Uma montanha que só cresce", mas antes de iniciar a leitura pergunte qual a quantidade de lixo eles imaginam ser produzida todos os dias e explique que o texto fornecerá resposta a essa questão. É importante que você realize pausas no momento da apresentação dos infográficos, pois neles se encontram algumas definições que serão úteis para a produção do glossário. Façam também a leitura do texto "Ricardo Abramovay e a riqueza do lixo"para que entendam de que trata a Política Nacional de Resíduos Sólidos e compreendam o conceito de responsabilidade compartilhada. No 19º parágrafo do texto "Uma montanha que só cresce" existe uma citação que menciona a logística reversa. Nesse momento, você poderá fazer uma pausa e apresentar os vídeos: "Bom Dia Brasil: Logística Reversa" e "Globo Ecologia (reciclagem de celulares e baterias)".

2ª etapa 
Para sistematizar os conceitos trabalhados na etapa anterior, apresente os vídeos "O Nosso Lixo (2/3) - TV Brasil" e "O Nosso Lixo (3/3) - TV Brasil". Ao término da exibição desses dois últimos vídeos, solicite aos alunos para que façam um resumo descrevendo quais informações eles desconheciam e quais consideram tão importantes a ponto de mudar sua prática. Ao final dessa etapa, questione como podemos reduzir a quantidade de lixo que vão todos os dias para a lixeira. Após a discussão, sistematize as ações discutidas e peça para comparar com as apresentadas no infográfico: "Consuma sem consumir". Os itens 8 e 9 do infográfico provavelmente não impactam diretamente com os alunos nesta faixa etária, mas contribuirão para o material que será produzido durante a avaliação.

3ª etapa
Nas etapas anteriores, os alunos estudaram os tipos de resíduos sólidos. Agora, eles identificarão onde esses materiais estão presentes em seu cotidiano. Para tal, a turma deverá organizar uma tabela identificando setores da escola com o objetivo de mapear os tipos de lixo encontrados, designados a princípio por eles mesmos. Munidos de prancheta, lápis e de tabela (abaixo há um exemplo), os alunos percorrerão a escola e identificarão alguns exemplos de resíduos produzidos nestes locais. Abaixo, um modelo de tabela para orientar os alunos:



Com uma luva, você poderá auxiliá-los a vistoriar o lixo presente em cada setor para ajudar na busca dos dados. Oriente-os a não se limitarem apenas aos materiais encontrados no lixo, mas também para objetos que se tornam obsoletos ou são encaminhados ao descarte quando ficam quebrados, como mouse ou teclados de computadores. Peça também que observem se existe separação do lixo na escola e se efetivamente ele é encaminhado à reciclagem, pois como foi observado no vídeo apresentado na etapa anterior, nem sempre o material separado é enviado para reciclagem. Aproveite este momento para levantar com a turma se existe na escola, algum tipo de desperdício. Por exemplo: sobras de merenda escolar, papel descartado que poderia ter sido reaproveitado. Como tarefa, solicite que  mesmos procedimentos que eles realizaram na escola, peçam para que examinem o tipo de material que é descartado em casa. Os dados encontrados nessas atividades, subsidiarão a fórmula que os alunos realizarão na quinta etapa.

4ª etapa
Nesta etapa os alunos farão um diagnóstico da região em que vivem. Inicie a aula analisando novamente o infográfico "Mapa do Lixo" apresentado na primeira etapa e peça para localizarem em qual estado está o município em que vivem. Eles deverão investigar como a coleta de resíduos sólidos é realizada e se o seu município já está adequado às condições previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Informe à turma que vocês vão investigar as seguintes questões:
  • Existe coleta de lixo na cidade?
  • Para onde ele é encaminhado?
  • Existem aterros sanitários?
  • Você tem conhecimento da existência de coleta seletiva na região onde você mora?
  • Existem postos de coleta de lixo eletrônico?
  • O que é feito com o lixo hospitalar?
  • O que é feito com o lixo da limpeza urbana? E das construções?
  • Existem cooperativas de reciclagem?
  • Existem postos de coleta de resíduos de óleo utilizado na fritura de alimentos? Vocês poderão buscar estas informações na prefeitura do município ou na Secretaria do Meio Ambiente.
5ª etapa
Nessa etapa, os alunos realizarão dois tipos de entrevistas. A primeira delas será feita com um adulto responsável (pais e familiares) e a segunda será com um adulto responsável por cada setor da escola que foi definido na 3ª etapa. As questões deverão ser elaboradas com base nos dados sobre os tipos de lixo que pesquisaram na terceira etapa.
Em um segundo momento, os dados encontrados deverão ser editados. É importante que os alunos comparem os dados das respostas que encontraram nesse momento com os dados que encontraram na terceira etapa. Por exemplo: se encontraram na sala de informática materiais com potencial de descarte (cartuchos e tonners de impressora usados), é o momento de verificar com a entrevista qual destino é dado. As informações encontradas nesta etapa também auxiliarão os alunos no direcionamento da ação proposta como atividade avaliativa.


Avaliação
A intenção desta atividade é verificar se o conteúdo abordado em sala de aula contribuiu para o desenvolvimento de atitudes que estimulem o consumo consciente e a preocupação com o descarte correto dos resíduos sólidos.
Primeiramente, peça que a turma escreva uma dissertação, expondo sua visão a respeito da atual produção de lixo em sociedade. Aspectos como sustentabilidade e consumo consciente devem ser contemplados no texto, bem como a definição do que são os “Três Rs” e o conceito de logística reversa.
Em seguida, a turma deverá organizar uma campanha informativa sobre os tipos de resíduos sólidos, o descarte correto de materiais e quais atitudes podem contribuir com a logística reversa. Esta campanha deverá ter como público alvo as pessoas que participaram da entrevista. Para não contribuir com o acúmulo de resíduos sólidos, discuta com a turma quais estratégias eles poderiam utilizar como meios de divulgação nessa campanha. Você pode solicitar que eles preparem uma apresentação oral para a turma e antes de divulgarem o conteúdo da apresentação aos entrevistados. A apresentação oral para a turma servirá para você avaliar se os conteúdos selecionados pelos alunos incluem os objetivos da proposta.


Consultoria Luisiana Carneiro
Bióloga e pesquisadora da Abramundo - Educação em Ciências

Tecnologia na Educação

Como a tecnologia está presente na sua sala de aula? Você sabe utilizar o computador, a internet, blogs, celulares, tablets, podcasts, projetores, câmeras e outros recursos para ensinar ainda melhor os conteúdos curriculares de cada disciplina? Aqui você encontrará dicas de temas bem como planos para aulas utilizando essas tecnologias. Divirta-se.


Colaboradores: Aline Aguiar, Érica Borges , Janete Cordeiro, Karla Coelho e Liana Sena.